figuras do excesso

Hoje comecei a compartilhar aqui minhas anotações do curso de Denise Sant’Anna “Figuras do Excesso”.

Estou aproveitando demais o curso!

Estou em processo de criação de um novo solo que girará em torno das questões levantadas pela professora e que têm muito a ver com cada um de nós. Aguardem o solo, mas enquanto isso, visitem a página “Figuras do Excesso”, na coluna à esquerda, em que transcrevo minhas anotações do curso de Denise e suas dicas de leitura, filmes e obras artísticas escolhidas por ela para serem estudadas a fim de que nos situemos nesta época maluca que vivemos.

Vale a pena ler minhas anotações e correr atrás das dicas de Denise.

Vocês topam estudar junto e colaborar com suas referências?

Tomara que sim!

Inté mais!

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merecimento

Você talvez mereça se esconder do mundo para ter condições de cuidar de assuntos mais impessoais e sagrados.

A ligação com o passado, a consciência de um ciclo secreto que se repete em sua vida pode ser a explicação para tanto sentimento do tempo.

Observe.

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dançar

Alegria imensa!! Depois de mais de dois anos, por conta de lesões no tornozelo, no joelho, na alma, falta de espaço de todo tipo, hoje voltei a dançar! E cantar! Por mais de duas horas! Só parei pra não me machucar…tem q voltar aos poucos, com muuita paciência e carinho! Obrigada a todos vocês! Beijos! Boa noite!

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volta

Depois de um bom tempo sem escrever aqui, decidi retomar o blog depois de me procurarem para ter aulas de butoh.

Sempre me incomodo em falar nesse assunto.

Segundo o meu mestre Takao Kusuno, o butoh não é um estilo de dança e sim uma filosofia de vida. Ele dizia que não se ensina butoh, nem faz-se butoh, e sim é-se butoh.

Se surgirem dúvidas aqui, desenvolverei este raciocínio a partir do que pude aprender com Takao Kusuno.

Tenho muitas histórias.

Até já!

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um dia, um rato, um sapo

Foram as primeiras palavras que vieram.

Um dia,
resolvi fazer este blog para escrever umas asneiras e outras nem tanto. Queria escrever pra ninguém ler.
Não escrevo bem.
Meus textos são exagerados, cheios de adjetivos e superlativos, chatos, quase sempre na primeira pessoa, num tom meio intimista-melancólico-vítimico, conseqüência da indignação pela falta de reconhecimento do resto da humanidade em relação à essa mortal que aqui escreve. Com um quê de auto-piedade que chega a ser constrangedor. Sim, uma das neuroses que desenvolvi tem matizes paranóicos e egocêntricos, mas estou em vias de superá-los, quero crer.

Ontem mesmo eu apaguei um texto que havia escrito aqui. Fiquei com vergonha. O texto fazia uma ginástica que escancarava um raciocínio lógico no mínimo equivocado. Começava falando sobre paz e plenitude, passava a abordar o Yoga e a meditação, mostrava dois vídeos de um fulano esclarecendo essas duas atividades (vídeos bem interessantes), em algum momento associava plenitude e paz com a velhice, para enfim, ainda bem, terminar achando todo o escrito uma grande bobagem, uma exposição da relação non sense entre conceitos errôneos.
E, o pior, era sério.
Trabalhei nesse texto por mais ou menos uns cinco dias e apaguei.
Dá vontade de recupera-lo e publica-lo novamente, de tão ruim que é, hahaha!

Um rato.
Não sei por que escrevi a palavra rato. Não tenho nenhuma história com ratos. Minto. Há uma traumatizante, de anos atrás, uns 10, quando eu morava em uma chácara em Barão Geraldo, Campinas. Mas deixo-a para outra oportunidade.

Há outra, ocorrida há pouco mais de uma semana, quando tivemos, eu e minha filha Mariá, a certeza de que há um camundongo que visita nossa cozinha à noite. Eu já havia visto um vulto escuro correndo para debaixo da geladeira. Mas eu olhei e não achei nada, vi de novo o vulto, chequei e nada, aí resolvi acreditar que era ilusão idiótica.

Nunca houve problema com ratos aqui em casa. Até que deixei um queijo curando em cima da pia e no dia seguinte ele estava todo roidinho. Blaaargh! Que nojo! Sentimento ambíguo, pois não consegui deixar de achar fofinho, credo. De qualquer maneira, dá muita dó matar, mas vejo que não é dó nada, é nojo de encontra-lo morto de veneno. Tenho que resolver mais isso ainda esse ano, envenenar um rato.

Um sapo,
sapo, sapo…Por que “sapo”?
Sei lá, sapo é uma das carências de uma cidade como São Paulo, pelo menos no bairro perto do centro onde moramos. Sinto falta de uma sinfonia de sapos à noite. Sapo-martelo, coisa e tal. Só me dou conta de que sinto falta quando viajo pros lugares em que os sapos conseguem viver. Esses lugares são geralmente limpos, ecologicamente falando, com um riozinho ou pântano ou cachoeira ou mata ou tudo isso junto.

Existem uns sapões que são extremamente simpáticos e para mim todos os sapões assim se chamam Clóvis.

É que lá na Fazenda Serra, em São João da Boa Vista, cidade onde passei a maioria dos melhores momentos de minha vida (minha família é de lá), havia um sapo, que se chamava Clóvis, que vinha todas as noites à varanda comer os besouros que caíam no chão, doidos de lâmpada e lampião. O Clóvis comia muitos besouros a cada noite, comia tantos que depois mal conseguia andar. Ele era grandão e muito lento. Sempre que íamos pra Serra ele aparecia à noite. Demorei a entender que não era sempre o mesmo sapo que vinha e, portanto, que aquele não era o Clóvis, mas era um dos Clóvis.

Num primeiro momento fiquei desapontada. Achava que o Clóvis era um sapo muito especial que vinha sempre nos visitar quando estávamos por lá, nas férias, nos feriados, nos finais de semana.

O tempo passou e eu crescí. Até hoje, já envelhecente, a cada vez que cruzo com um sapão simpático se banqueteando nas varandas dos diferentes bucólicos lugares que tive, e tenho, a sorte de freqüentar no correr dos anos, me surpreendo cumprimentando “oi Clóvis”, ou apresentando o Clóvis a alguém.

O que? Se eu já pensei em beijar o Clóvis? Como no conto de fadas?
Cruz-credo! Já pensou se me aparece no lugar dele assim, de repente, puf, um príncipe?
Preferí não correr o risco.

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