Mito, Corpo e Medo no Neoliberalismo

Mitos são projeções que se faz e que têm a ver com uma situação de vida

Em geral o mito é uma projeção tanto do futuro quanto do passado. O mito é denso de histórias, é verdadeiro. A linha que o confecciona é a linha da experiência, do acontecimento. A criação de monstros está inserida nisso.

Ficção científica = projeção do futuro

Fantasmas, lendas = projeções do passado

O UNICÓRNIO = referência  primordial tanto da virtude humana quanto de sua violência: o unicórnio é violentíssimo e só se acalma ao lado de uma jovem e é aí que ele se torna virtuoso – há relação com Cristo

A coisa não precisa acontecer para ser real

A História é uma das versões do mito, mas, por relações de poder (quem conta a estória), se tornou a versão verdadeira.

O culto da performance é um grande mito pois não faz parte da natureza humana

Nós naturalizamos o mito e aquilo que é mito vira carne. Precisamos solos, platôs de permanência, daí a naturalização do mito

Proposta  Identitária  – a situação potente e que ela surge para nos salvar: numa situação de risco de perda de vida, saúde, dinheiro, trabalho – numa situação de risco extremo ninguém é livre – quando não podemos escolher – fatalidade

A liberdade é um bem exigente, é um bem de luxo

Qualquer proposta identifitária surge como um mito

O culto da Performance é característica do Neoliberalismo

Foucault – EUA copia Alemanha em seu Neoliberalismo – INFLAÇÃO – você vive para hoje – você não sabe se existe o amanhã – igual à situação de guerra ou a você saber que tem uma doença terminal

Nessas condições não há a possibilidade de projetos – a doença do Neoliberalismo é a DEPRESSÃO – incapacidade de fazer projetos

Filme: Stanley Kubrick e Kirk Douglas – sobre a primeira guerra mundial (Denise não se lembrou do nome do filme)

O Neoliberalismo se parece com a figura do deprimido e é descolado do passado

Não há a possilbilidade de “ficar” no passado – não importa o passado da pessoa – o que mantém no poder é o aqui/agora – metáfora: o jogador de cassino – pode ganhar uma fortuna num dia, mas isso não quer dizer que no outro dia ganhe, o que vale é hoje

É comum do Neoliberalismo encontramos pessoas extremamente eufóricas ou extremamente deprimidas

O deprimido é menos ruim que o eufórico, pois pelo menos ele sabe o que está ocorrendo – o deprimido é o último grito romântico

No Neoliberalismo nada é profundo nada tem tempo de se enraizar

O Liberalismo ainda acredita num progresso o Neoliberalismo não – ele queima as etapas – é só aqui que podemos pensar conceitos de hiper-realidade, hiper-capitalismo, hiper-modernismo

Hiper-realidade – o mundo virtual é um mundo real que não acontece no mesmo espaço-físico – é um outro tipo de realidade – na hiper-realidade sempre tem um terceiro (?)

Poder e velocidade – dois lados do poder – poder = velocidade – conseguir ultrapassar o tempo dos outros

TEORIA DA RELATIVIDADE

1) O Tempo é relativo – a luz corre com velocidade diferente dependendo de onde está

2) Todos os objetos variam de peso e velocidade dependendo do Espaço

3) O Espaço varia também

Lei da gravidade tem leitura diferente da verticalidade da atração entre Sol e Planetas da Lei de Newton – O Sol curva o espaço

MECÂNICA QUÂNTICA – O Espaço não é um vazio – é um campo concreto de objetos que curvam com o peso do Sol – tudo passa a ser tratado no nível atômico, na grandeza do átomo – hoje em dia essa medida diminuiu ainda mais – cordas

Foi preciso se formular outras leis – micro e macro têm leis diferentes

[Lacan e as Ciências Humanas vão buscar na Física os parâmetros para guiar as Ciências Humanas

Relação/Isolamento

Punição a céu aberto – cotidianamente envergonhado para se redimir e se corrigir perante a comunidade (pulseiras detectora de drogas, grau alcoólico, etc.)]

Num nível micro é um caos porque não se sabe ainda que leis serão estas, sabe-se apenas que elas existem

O olhar muda a natureza de tudo, só de observar algo ele muda em seu micro mais micro, aquele micro que não enxergamos e diante do qual as proporções do átomo são consideradas gigantescas se modifica sob a ação do olhar, da simples observação – Não se sabe ainda no ser humano que mudança é esta, mas ela existe.

Impaciência com essa desordem, com esse caos

A sociedade Liberal tem um projeto – Rousseau aposta na Educação – o Liberal aposta no coletivo – o conjunto deve ficar melhor

No Neoliberalismo não é preciso e nem desejável pensar no que é comunitário – nem a política visa o coletivo

Hoje o discurso do Liberal se parece muito com o do Socialista e ambos são oposição ao Neoliberalismo. Depois da Guerra Fria, o Liberal passou a ser a oposição ao Neoliberalismo

Impossível ser 100% Neo-liberal pois este é um sujeito sem memória e não vivemos sem memória

A Individuação Psíquico Coletiva – de Gilbert Simodon -Ética

O ato do louco é um ato totalitário porque ele não tem passado e, porque ele não tem passado, ele não tem futuro

A FIGURA MONSTRUOSA DO SÉCULO XXI, AQUILO QUE NOS APAVORA É A DOENÇA ALZHEIMER, que traduz o Neoliberalismo – Falência da capacidade de lembrar dos códigos = pane do acesso em plena sociedade do acesso

Neoliberalismo extremo:

– falência dos valores

– falta de sentido

– regime amoral

– guerra sem sentido

– difícil de ser representado – Filme “A Coisa 2”

[em “A Coisa 1” a monstruosidade que apavora tem uma forma, é representável, em “A Coisa 2” não, você não consegue classificar se é bom ou mau – sociedade viral]

Foucault – Nascimento da Bio-política – Lição 28/03/1989 – Modelo de Homem – Homoeconômicos (?) – esfacelamento da consistência da sociedade civil – o político vive uma situação difícil – hoje a política governa para a mídia. Ex: O cirurgião que opera para o advogado, para a família, etc.

O Governo não governa para nós e sim para a mídia

MÍDIA = QUARTO PODER

Isso se generaliza para nós – quando isso se naturaliza – já tem uma fala para ser gravada, não é mais a era da representação – é a naturalização e a generalização  e à medida em que isso se naturaliza, vira a sua identidade e, assim, não se pode mais prescindir daquilo que se naturalizou

WALL STREET

Neoliberalismo – paixão das emoções ou uma aversão absoluta a esses sentimentos – Paixão: viceralmente trabalhado pela mídia – 24 horas por dia

Brasil de Collor – salto Neo-liberal – Brasil novo, jovem – zerar a economia

De 90 para cá, domina o mundo inteiro e tem na política adotada por Margareth Tatcher sua expressão mais clara

Suposição: dos 90 para cá há uma exaustão desse modelo neoliberal – discurso de não invocar mais o passado não tem muita pega mais – saturação dessa jogatina incessante

Mercado Financeiro – tudo virtual (na produção não é assim) – perversão – não tem passado nem futuro

Se um governo depende do Mercado Financeiro ele é neoliberal

A nossa subjetividade tem a ver com essas manobras

A gente faz isso com nossa vida, a gente se sucateia

O corpo hoje tem sido pensado como mais-valia

Mais valia do corpo – fundado no século XIX – vender o corpo – pensar o corpo como um capital – negocio as imagens desse corpo e o que eu consigo colocar no mercado, ex: uma pessoa poliglota tem mais valor que uma pessoa que fala só um idioma

Mais valia tem a ver com distinção – transformar o corpo num meio para vc ganhar, lucrar, vencer, em qualquer situação

Cirurgia Plástica – a pessoa precisou olhar para si e reconhecer que já não gostava de sua imagem

– NESSE MOMENTO HÁ UMA CISÃO ENTRE O CORPO QUE EU SOU E O CORPO QUE EU QUERO PARA MIM

Se você percebe essa cisão você será sempre cindido = constrangedor

A sociedade que cria o corpo como mais-valia necessita desta cisão

Sociedades Contemporâneas – mestras em criar esse desgosto consigo – o fundamental desconforto é você, é o seu olhar e a necessidade de transformar seu corpo

O brinquedo da criança retrata o nosso mundo

Hoje há a forte tendência de sobrepor a questão corporal

A cisão entre o corpo que ele é e o corpo que ele tem que  ter se inicia já na criança

Capitalismo – programar esse corpo para ser sempre um corpo-mais-valia

Hoje há a obsessão pelo sanitarismo, que deve ser rigoroso e isso se reflete no imaginário “Vamos prender os radicais livres!”

Sociedade do Controle = Neoliberalismo

O liberal é a favor dos radicais livres X neoliberal ‘prendam os radicais livres’ (hahaha, isso dos radicais livres foi uma piada/metáfora que surgiu na aula e que eu achei muito boa e resolvi colocar aqui)

– Tudo equivale a tudo = deserto, onde o lá e o aqui se equivalem

As catedrais de consumo reproduzem isso – perde-se a noção da referência e quando perde-se algo, procura-se recuperá-lo e o que fazemos? – compramos. O aeroporto é assim.

A figura do Estúpido – é o sujeito que não pensa, não reflete – refletir implica dor e o viver no presente a consumir, não

As drogas como ácido, maconha, heroína – ligadas a sonhos – ligadas ao liberalismo. Já a cocaína é a droga da ação, do aqui/agora

Há autores que dizem  que o gosto (?) pelo neoliberalismo só é possível porque começa um movimento de individualização crescente – final do século XIX

Ler Peter Gay – “História do Corpo”

A idéia do coletivo se esfacela – classes sociais que se mobilizam pelo coletivo são as mais pobres

– Máquinas e Mulheres

As máquinas entram para o lar, passam a fazer parte da família  e se tornam grandes amigas das mulheres

Gosto por si, pela sua casa, seu filho, seu cônjuge, seu jardim, seu animal doméstico, etc.

Ler “As Palavras e as Coisas“, de Foucault

A partir do século XIX as “coisas” ganham profundidade – desprivatizar nossa vida hoje pode ser insuportável – somos o que temos e o que consumimos – viver sem nossas coisas pode ser insuportável

Somos nossas fronteiras o tempo todo

Na análise toca-se no centro briga – é mais difícil hoje que há 20 anos atrás

POR TUDO ISSO, CADA VEZ MAIS, OS MONSTROS NÃO SÃO MAIS IMAGINÁRIOS, CADA VEZ MAIS ELE ESTÁ NO HUMANO

Ler José Gil “Monstros”

 

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