violências

A noção de “trauma” veio depois de Freud – nunca saberemos exatamente se as pessoas tinham traumas no século do XVIII para antigamente, ou que espécie de traumas existiam e se existiram.

Relação da História com a Psicanálise:

Até o século XVIII o estupro não está associado com malefício criminoso e sim com malefício moral. Hoje continua sendo considerado como malefício moral, mas também é crime. Antes: se pobre estupra uma nobre = desrespeito moral a uma situação social. Os tutores é que eram ofendidos, não a vítima, que não ia ao tribunal, ou seja, a vítima não era tão vítima assim, a sociedade, com suas normas, era mais vítima que a própria vítima.

Questão psíquica – o estupro determina o futuro

(?) – Há temas – doenças sexualmente transmissíveis (HIV, sífilis, etc.); transformações sexuais , e assim por diante = dupla face – demanda do público se o profissional é contra ou a favor  – demanda um julgamento

Temos que ter em conta que qualquer tema de estudo está inserido em contexto e traz consigo uma bagagem de fatores que o extrapolam e que devem ser levados em consideração. Por exemplo:

O tema “Estupro” não se limita à violência, ele também engloba os temas: “Intimidade”, “Individualização do Corpo”, Violências Sociais”, “Violação aos Direitos Civis”, “Análises Científicas do Corpo Morto”, e assim por diante. O tema não se limita à área de atuação ou de conhecimento que ele se insere.

Mácula – tem opaco – o estupro mobiliza – toca nesse tema.

– O que ele troca? – o que ele sugere? – o que ele tange?

Violência – típico tema que corre o risco de cairmos no clichê ao abordá-lo

A palavra “violência” vem hoje com o dever de não explicar mais, ela acaba prescindindo de explicação, ao mesmo tempo há casos em que há a recusa de que determinadas relações implicam em violência.

Hoje há todo um trabalho para afastar o corpo a corpo

Mas, enfim, o que é Violência?

1. Violência sempre implica em uma relação social desigual, ou seja, toda a relação violenta é desigual – a desigualdade é que produz o algoz e a vítima – ela poder ser na esfera do poder político, do econômico, do social e de faixa etária.

2. Há sempre um princípio de alienação; há sempre uma relação alienada.

Ler “Infância” de Graciliano Ramos

Uma pessoa com muito pavor é uma pessoa alienada, tem uma maneira de colocar o corpo que não é a de quem está pleno. A plenitude oferece o corpo ao outro.

Espinoza: Viver na situação do medo é viver na situação de ausência de futuro.

Quem reage primeiro é o corpo – separação corpo/mente – a capacidade de pensar é mais lenta

Aristóteles – os animais são puro corpo, o homem não

Caso de estupro – mulher violentada e torturada  num navio – o primeiro desejo que teve quando chegou foi pintar as unhas – ou seja, ela quis recuperar sua humanidade

Jorge Amado – “Teresa Batista Cansada de Guerra” – hoje estamos mais sensíveis ao sofrimento corporal

– Progressiva transformação do corpo em algo privado

Essa noção de posse do corpo foi acelerada desde os últimos dois séculos

(retomando) Tutor – a criança não tinha individualidade , não tinha um corpo, a mãe/família é quem determina e escolhe tudo

Havia ingerências sobre o corpo que tirava a responsabilidade da pessoa sobre o corpo e sobre si – a subjetividade era rala, era pobre, menos profunda

Hoje a subjetividade é mais densa e a ameaça à sua perda é maior, conseqüência da liberdade adquirida.

O estupro hoje representa ameaça à liberdade adquirida

Quando progresso vira obrigação, não há transcendência

Hoje as escolhas se tornaram deveres

….continua na próxima aula

 

 

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