Iniciamos a aula discutindo o texto de João Freire Filho “A FELICIDADE NA ERA DE SUA REPRODUTIBILIDADE CIENTÍFICA: CONSTRUINDO PESSOAS FELIZES”
Texto do João Freire – pesquisa inovadora sobre manuais de auto-ajuda – felicidade crônica
Todos os médicos hoje receitam anti-depressivo, não importa a especialidade do médico. Receitar anti-depressivos deixa de ser privilégio dos especialistas da área da psicologia – receita banalizada
Ênfase na possibilidade de ser mais feliz do que se é, como vimos em Umberto Eco, é a tendência americana do “muito” do excesso
Confusão entre realidade e irrealidade – muitas vezes a ficção é mais interessante que a realidade
Princípio da subjetividade norte-americana – american way of life – deixar a ficção mais aparente que a realidade – essa tendência se desenvolveu após os anos 50 – hoje cria-se a ficção como se ela fosse real e até mais real que a realidade – tecnologia 3D
Segundo Umberto Eco, há duas posições diante da realidade recriada na ficção:
1) Aqueles que acreditam essa tendência vai dominar e que o caos se instaurará – Apocalipse
2) Aqueles que são integrados e que pensam “ainda bem que veio, pois a realidade é muito ruim e podemos criar a realidade de um modo melhor, podemos melhorar a realidade.”
Umberto Eco – “Nome da Rosa” – possibilidade de um sonho imaginário científico – transforma imaginário – universalismo da ciência – pretensão cristã = um Deus para todo mundo
Livro – Super Homem
Texto da aula de hoje – Perda da noção de autenticidade – pessoas preferem a cópia do que a própria realidade
O que implica essa idéia de mundo do “mais”? Quero ser cada vez mais saudável, mais rico, mais jovem – implica em ultrapassar o limite da pretensa normalidade humana
A idéia de que a realidade pode ser trocada pela ficção.
Qual é o autor que vai fragmentar a idéia de que existe um realidade?
Nietzsche em “O Crepúsculo dos Ídolos”
No final do século XIX , a figura humana começa a se desfazer, a unicidade humana começa a se fragmentar – surge a música atonal e o impressionismo – no final do século XVIII, a Guilhotina volta aperfeiçoada para decapitar, fragmentar, os corpos dos “Inimigos da Revolução”, que marcou ascensão da burguesia ao poder.
Se no século XVI a natureza não era confiável – (terremoto em Lisboa), no século XIX o que passa a não ser confiável é a figura humana.
Nietzsche – a verdade é que nós temos que obedecer à lei pela lei – possuir a bondade pela bondade – a saúde pela saúde
A interpretação do real
Século XIX – Freud
O terremoto em Lisboa (primeiro de novembro de 1755) aconteceu na magnitude 9 da escala Richter e foi acompanhado por uma Tsunami . A Natureza passa a ser caótica, imprevisível – época em que se descobre que tudo está em movimento interno e externo
Rompe-se a idéia de que a Natureza tem uma harmonia em si mesmo – o Homem antigo e medieval tinha que se adaptar a ela. O Homem não estava querendo inventar a Natureza – ele queria imitá-la e expressá-la da melhor maneira possível
(para se ter uma idéia vaga das conseqüências profundas do Terremoto de Lisboa na Europa, vale a pena dar uma visitada aqui, a tragédia modificou a cultura, o pensamento e a sociedade, houve uma mudança radical e irreversível na maneira do Homem ver a Natureza e o próprio Homem)
Rousseau – A Natureza é assim, a razão não dá conta, tem que existir forças externas para dar conta
O que distingue o Animal do Homem deixa de ser a Razão, como se acreditava até então – o Animal repete o programa da Natureza e sua fatalidade – O Homem não segue essa regra porque o Homem possui algo que os animais não possuem que é a Liberdade
O Homem é livre e inventa a Liberdade. Não pode depender da Natureza, pois ela é caótica e passa a não ser mais modelo a ser copiado
Século XVIII – Iluminismo
Século XIX – Romantismo – só é possível com a Liberdade
Rousseau – O Homem precisa ser educado, pois se todos são livres, como se dará a sociedade? “A tua Liberdade termina quando ela começa a interferir e cercear a Liberdade do outro” – século XVIII – Deus existe porque o inventamos – deus deixa de ser real e passa a ser um idéia.
Necessidade da Educação
Para Rousseau – o selvagem, o índio, está no Animal, o índio é bom – o Bom Selvagem – O Homem pode ser mau – se é livre ele pode escolher tudo, até ser mau – quanto mais livre mais ele escolhe – por isso a Educação é importante – para esse Homem fazer boas escolhas
Rousseau está na base de Kant , que aprofundou as idéias de Rousseau, não inventou nada
Primeira conseqüência de tudo isso – importância dada à Educação
Segunda conseqüência – idéia do Universalismo e da Democracia – não basta a Educação – Ao governar deve-se pensar no bem comum – Homem é o único animal que possui duas Histórias: a sua História natural, como espécie, e a História da sua individualidade – Esta é a História propriamente dita, aquela que é escrita pelo Homem e que a gente estuda.
Isso cria desigualdade pois depende da manipulação e do domínio da Técnica (instrumento por excelência para dominar o mundo)
No Pensamento Liberal há a idéia de Bem comum
A partir do século XVIII – O ‘Novo’ se torna mais positivo do que a Tradição – A Revolução Francesa traz isso – o Iluminismo traz isso – desvalorização do velho, do que já é conhecido – o ‘Novo’ cola na idéia de Felicidade
Romantismo – nostalgia do velho e fascínio pelo novo = espírito esgarçado, dilacerado
Ler Hoffman – “o Homem de Areia” – século XVIII – o que é “inconsciente” passa a existir e ser considerado
Séculos XVIII e XIX – Valorização do sentimento do “Eu” só meu: profundo, denso, imprevisível
O Homem livre cria – isso traz poder – um fundo sem fundo de possibilidades – nos tornamos gente interessantíssima
Contos Fantásticos – Mundo Moderno
sec XVIII – A Morte Amorosa – Ítalo Calvino – (Editora Cia. das Letras)
Kant aprofunda Rousseau – definir muito claramente o ser moral – dever e a ética do dever – a idéia de uma História Universal
“A Natureza é incompreensível então vou cuidar do meu caminho”
(Ler a Biografia de Nietzsche escrita por Losurdo)
Fica claro que Nietzsche definitivamente não é a favor da Revolução Francesa, nem da Democracia e tem nojo disso. Aposta no mundo Aristocrático, mas vê que este também não tem sentido
(?) Errado associar a maio de 68 – associar ao nazismo (se quiser saber sobre maio de 1968, clique aqui
Ler Delleuze sobre Nietzsche
Juristas usam muito Nietzsche
Mal ou bem, nos séculos XVII, XVIII e XIX havia um projeto humanista, a Teleologia fazia parte do projeto humanista
O Homem – projeta – transcendência
Projeto = Espírito do Liberalismo na século XIX – o Homem estava na dupla historicidade – Homem = algo maior é o social
Etiomo (???) – “O que eu fizer ficará”
Nietzsche desconstruiu tudo – Capitalismo Liberalismo é isso (??)
O Neo Liberalismo surge no século XX depois da Segunda Guerra Mundial
O Homem Neo-Liberal não vai ter a transcendência. Razões:
1) Concorrência generalizada entre empresários banqueiros. Hoje vê-se essa concorrência na infância, no lazer, no trabalho, com comigo mesmo (ex: dieta, performance física, beleza ideal, etc.)
2) Consumo generalizado. Se o Século XIX o mote era a Produção, no século XX e passa a ser o consumo desenfreado
O Homem para ser Homem tem que ser consumidor e para consumir tem que ter dinheiro. Tudo é entendido como consumo, consumidores são clientes. A postura do consumidor se generalizou
3) Perda de sentido – O progresso (transformação) não sabe para onde vai. É um dever progredir. Tenho que modernizar mais e mais. Tecnologia que fica obsoleta a cada minuto (exemplo: computador)
No século XIX havia a Utopia e o progresso é exceção, uma escolha. Hoje não há mais a escolha, hoje o progresso é um dever.
Nós do século XXI não acreditamos mais na Utopia
O consumo se individualizou como nunca. O ‘Novo’ ocupa espaço mais rapidamente em nossas vidas. Hoje ele não é mais uma escolha, é um dever. No mundo Moderno, o novo era uma escolha
No mundo Neo-Liberal tudo é trabalho exemplo: deve-se trabalhar a mente, trabalhar a relação, etc.
Para que possamos mudar isso = é necessário conhecê-lo profundamente
É preciso uma nova definição de Homem – o Homem de hoje vive o aqui/agora – animalidade
É preciso redefinir a diferença entre o Homem e o Animal – Em Rousseau essa diferença estava capacidade de escolher, enquanto que para o Animal restava apenas viver
Agora, no Neo-Liberalismo, onde só existe presente, o Homem e o Animal não têm mais diferença de definição
Vontade? é isso que Nietzsche é contra
Projeto Neo-Liberal torna você completamente insignificante
Transgressão com script completo – até a transgressão é produto a ser consumido no Neo -Liberalismo, que capta a informação e a transforma em algo a ser consumido
Neste quadro devemos buscar formas de transgressão, encontrar fissuras de escape para elas se manifestarem – (lembrei-me dos encontros entre grupos diferentes que se desafiam através da dança, em ambientes públicos e abertos, em flashes eventos descompromissados, sem aviso prévio para a assistência. A movimentação é toda fragmentada, os corpos desconstruídos e descontraídos, o clima é de comunhão e alegria, coloco aqui dois vídeos de desses encontros, num deles sequer há público, eles dançam para eles, embaixo de chuva; já o segundo acontece em um lugar onde há bastante gente. Ao final, ninguém passa o chapéu para pedir dinheiro, só terminam e vão embora – se vc achou que os vídeos cortaram o fluxo do pensamento provocado pelas anotações, por favor, faça um comentário e eu passo o vídeo para a página “vídeos” deste site)
Na ética do dever você tem que zelar pelo bem comum.
No Neo-Liberalismo a Família, o Estado, a Pátria perdem o sentido glorioso, há o encolhimento da esfera pública para o ambiente privado, o indivíduo passa a viver para os seus
Hoje o herói não se faz na guerra, e sim na vida cotidiana
Maio de 1968 foi o último grito Romântico do Humanismo
Agora a Natureza não só está louca como está profundamente doente em estado terminal
Ecologia surge em 1973
O Neo-Liberal não tem o bem comum em suas preocupações
Filme: “Os Temores de uma Época”
Extermínio – Imaginário do Holocausto
– imaginário da vida no limite – viver em puro reflexo – situação de medo, pânico, guerra – até que ponto somos diferentes do animal nessas condições?
Filme “Distrito 9”
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