tributo de Anna à Margot

Sunday, December 30, 2007

titititititit

margot – assim: ela mesma.

rainha margot – assim: numa pose de monge e com os pelos bonitos, pós-banho, com alguma chuquinha que não fosse tão ridícula e um olhar: “com que tanto vcs se preocupam?”. comendo as rações mais caras.

margorda – assim: meio gordinha.

titi – assim: ela mesma.

gogo cross – assim: no corredor, metade de carpete, metade de madeira, velocidade impressionante, correndo atrás dos brinquedinhos: um cheese-salada com cordinhas, um triângulo tridimensional fofo de pelúcia, uma caixa de leite longa-vida (entrava na cabeça dela e virava um capacete!), um saquinho de supermercado cheio de ar. incansável. era um jogo institucionalizado, não era improvisado. tinham que se sentar duas pessoas, de perna de índio e estimulá-la pra cá e pra lá arremessando os objetos engraçados.

titi na sua – assim, ela mesma, mas, de repente, cansei e parei.

quando bebê, não conseguiu controlar a felicidade e fez xixi no meu tênis puma (com meu pé dentro dele).

crescidinha, aprendeu a se controlar mais e resumiu a felicidade naquela chacoalhada de quadril. parecia que ela ia decolar (mas acabava apenas espanando um pedaço do chão)

na serrinha, se divertiu como eu nunca tinha visto um ser se divertir, numa relação de sado-masoquismo com a charmosa e very smart belinha, mas a margot também tinha seu lado smart na brincadeira. estava amando e muito suja.

a margot me ensinou uma coisa: quando estamos ansiosos para sair, as pessoas que vão com a gente podem demorar muito pra se arrumar, demoram para trancar a porta, não sabem descer a escada em grande velocidade… em qualquer um desses casos, devemos fazer assim: descemos e subimos a escada, de uma porta a outra, sem parar, arrastando a coleirinha, ou, no caso dos humanos, pode ser a bolsa, quantas vezes for necessário até as companhias chegarem. assim que se combate a famosa ansiedade. correr e voltar, correr e voltar, correr e voltar, opa! chegaram! vamos!

ainda não aprendi a agir assim, fico me segurando no lugar.

preciso ser mais radical, né, margot?

vou sair sem respeitar, fazer xixi nos tapetes.

quando fizer no lugar certo, vou mostrar pra todo mundo, vou ganhar presente e, quando sentir que já dei tudo de mim, vou descansar.

o mais bonito é que a margot e o ritz estão juntos num lugar que a gente inventou. um lorde inglês e uma monja budista.

como eu queria aprender o que eles devem estar conversando sobre a vida.

ps.: a bunitinha, a tititinha, a bibibinha, a dididinha… ti ti ti ti ti ti ti ti… margooooot!

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Sobre patrícia noronha

artista pesquisadora da dança e do teatro, integra o corpo docente do departamento de artes corporais DACO/IA/UNICAMP, integrou por 16 anos o corpo docente do departamento de artes cênicas CAC/ECA/USP, dirige a cia. patrícia noronha PANAPANÁ dança e teatro.
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