
A Margot me ensinou que todos os animais têm alma e que os outros animais são muito mais evoluídos que a humanidade.
A Margot era um buda encarnado cachorro.
Paciente, silenciosa, muito especial.
Quando queria uma coisa parava, sentava e me fitava.
Aquele olhar ia me incomodando e me conduzia a fazer tudo o que ela queria.
A Margot não lambia, não mordia, não latia e não chorava.
Não gostava de contato físico muito intenso, só adorava que lhe coçassem a barriga. Apesar disso, suportava pacientemente, imóvel, meus arroubos de carinho, quando eu a segurava no colo e a balançava como a um bebê humano.
E aqueles olhos? meus Deuses! que olhar era aquele!
Sinto muita saudade dela e agora eu choro.
Era um olhar de gente! de gente muito especial!
Quando a Margot ficava fora de casa, ela não chorava, não latia, ela simplesmente sentava e esperava que sentissem sua falta. Só!
Quando queria algo e eu fingia que não percebia seu olhar, ela fungava, fazia que coçava o nariz.
Se mesmo assim eu não a atendesse, fingindo que não ouvia, ela encostava delicadamente os pêlos em volta de seu focinho na minha perna e pronto!, conseguia tudo!
Nunca mais vou esquecer aquele olhar dela pra mim quando ela estava no hospital, toda cheia de água, porque seu rim não funcionava, balançando, mal se mantendo sentadinha.
Era um olhar suplicante que me perguntava: o que foi que eu fiz de errado? o que está acontecendo comigo? por que não me levam pra casa? por que não me tiram desse lugar? Por que me maltratam tanto?
Também nunca vou esquecer quando ela procurava os cantinhos escuros da casa pra ficar quietinha porque sabia que ia morrer.
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